Florbela Espanca
Desejos vãos Eu queria ser o Mar de altivo porte Que ri e canta, a vastidão imensa!Eu queria ser a Pedra que não pensa,A pedra do caminho, rude e forte!Eu queria ser o sol, a luz intensaO bem do que é humilde e não tem sorte!Eu queria ser a árvore tosca e densaQue ri do mundo vão é ate da morte!Mas o mar também chora de tristeza...As árvores também, como quem reza,Abrem, aos céus, os braços, como um crente!E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,Tem lágrimas de sangue na agonia!E as pedras... essas... pisá-as toda a gente!...Florbela Espanca - Fanatismo Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida Meus olhos andam cegos de te ver!Não es sequer razão do meu viver,Pois que tu es já toda a minha vida!Não vejo nada assim enlouquecida...Passo no mundo , meu Amor, a lerNo misterioso livro do teu serA mesma história tantas vezes lida!"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."Quando me dizem isto, toda a graçaDuma boca divina fala em mim!E, olhos postos em ti, digo de rastros:"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,Que tu es como Deus: Princípio e Fim!..."
domingo, 24 de janeiro de 2010
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